O que a vida que você quer construir vai exigir de você?

“É melhor ser um guerreiro em um jardim do que um jardineiro numa guerra.”

Lembro de uma vez que palestrei, em 2024, para uma turma de universitários, tinha gente dormindo, olhando o celular e conversando como se eu não estivesse ali.

Eu estava falando, mas uma parte da turma estava fazendo outra coisa. Quem já precisou se apresentar diante de um grupo sabe o quanto isso interfere na autoconfiança. Você continua falando enquanto percebe que está perdendo as pessoas. O desânimo vai invadindo seu coração e você não vê a hora de chegar ao final do conteúdo e ir embora dali.

Depois daquela palestra decidi que nunca mais passaria por aquilo novamente, fiz dois cursos de oratória com a maior referência no assunto em minha cidade. Também comecei a treinar sozinho, como um louco. Inventava palestras e ensaiava dentro do quarto ou escritório, mesmo sem ter um evento marcado para apresentá-las.

Alguns meses depois, fui convidado para ser um dos palestrantes de um evento com cerca de 45 empresários. Minha apresentação seria a última. Quando terminei, a mestre de cerimônia disse que minha palestra havia levantado o ânimo dos participantes.

Gosto de lembrar dessa sequência de experiências porque vivi os dois lados da frase no início deste artigo “É melhor ser um guerreiro em um jardim do que um jardineiro numa guerra”. Na primeira vez, o convite chegou antes de eu desenvolver a habilidade de falar em público, e a apresentação foi um desastre. Depois, me capacitei e continuei treinando, mesmo sem nenhum convite marcado. Quando a oportunidade apareceu novamente, consegui fazer uma ótima palestra.

O que a vida que você quer construir vai exigir de você?

Quando penso no que quero construir nos próximos anos, algumas habilidades já aparecem como necessárias. Quero ser um palestrante profissional, então preciso desenvolver minha oratória. Quero conduzir melhor meus negócios, então preciso aprender a tomar decisões, negociar e liderar outras pessoas.

Ainda não sei quando vou precisar de cada uma delas em uma situação importante. Mas posso começar a me preparar porque elas têm relação com a vida que desejo ter.

O que você quer estar preparado para fazer?

Para decidir o que desenvolver, comece por uma intenção concisa: “Quero vender para clientes maiores.” “Quero começar a palestrar.” “Quero crescer para 10 mil o número de seguidores do meu Instagram”.

Não precisa elaborar um plano para a vida inteira. Escolha algo que você deseja fazer nos próximos 6 meses e que exige preparo.

No meu caso, era falar melhor em público. Isso me deu uma direção para o estudo e para o treino, mesmo sem saber quando faria outra apresentação.

Uma intenção assim ajuda a escolher onde investir seu tempo. Há muitas habilidades interessantes para aprender, mas algumas têm uma relação mais direta com o que você quer construir agora.

Se a oportunidade aparecesse amanhã, onde você travaria?

Depois de definir a intenção, imagine uma situação real.

Se você quer vender para clientes maiores, imagine uma reunião com um diretor. Você saberia mostrar o impacto financeiro da sua solução? Antecipar objeções e ajudá-lo a defender a contratação diante dos outros decisores?

Isso exige investigação de necessidades, visão de negócio, argumentação e negociação.

Se quer liderar uma equipe, imagine uma entrega abaixo do esperado. Você saberia identificar a causa, dar um feedback claro e combinar a correção sem assumir o trabalho de volta?

Para isso, precisa desenvolver comunicação, delegação e capacidade de avaliar entregas, além de aprender a conduzir conversas difíceis.

A intenção aponta a direção. Essa investigação mostra o que você precisa praticar primeiro.

Crie uma situação para praticar

Foi o que fiz quando inventava palestras para ensaiar sozinho (Inclusive, algumas delas ficaram tão boas que hoje até vendo elas em forma de treinamento). Eu não precisava de um evento marcado para começar a trabalhar na minha apresentação.

Você também pode criar uma versão menor da situação para a qual quer se preparar. Se deseja apresentar um projeto, reúna algumas pessoas e explique a ideia. Peça que digam o que entenderam e onde ficaram com dúvidas. Se quer negociar melhor, simule uma conversa com alguém que questione seu preço (Dica: use alguma inteligência artificial para simular uma reunião de venda). Se pretende liderar, assuma a coordenação de um pequeno projeto e observe como você distribui o trabalho e acompanha as entregas.

O treino precisa ajudar você a perceber onde melhorar. Gravar uma apresentação permite identificar uma explicação longa demais. Ouvir uma objeção numa simulação mostra em que momento você perde a segurança.

Para preparar minhas palestras, tenho usado o NotebookLM. Coloco meu conteúdo na ferramenta e peço um resumo em áudio com uma análise crítica. Quero ouvir quais argumentos parecem frágeis, o que ficou mal explicado e quais dúvidas o público poderia ter.

Você pode experimentar com prompt como este:

“Analise este conteúdo como um participante atento e exigente. Questione os argumentos, identifique explicações confusas e levante dúvidas que poderiam surgir durante a palestra.”

Ao ouvir o áudio, consigo revisar o conteúdo e ensaiar respostas antes da apresentação. Não tenho como prever todas as perguntas da plateia, mas esse exercício me ajuda a encontrar pontos que eu talvez deixasse passar ao revisar sozinho.

Use o que descobrir no próximo treino. Refaça uma explicação, procure um exemplo melhor ou pratique a resposta a uma pergunta difícil. Assim, cada tentativa dá uma direção para a seguinte.

Agora me responde aqui nos comentários, o que você quer construir nos próximos meses, quais habilidades isso vai exigir de você e como pode começar a praticá-las nesta semana?

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